25 de maio de 2017

Educação pública é importante para que todos tenham as mesmas oportunidades


Ricardo Paes de Barros, um dos criadores do Bolsa Família, defende a revisão de programas educacionais e sociais na busca por maior eficiência
25/05/2017 - 06H52 - POR
Brasil;entrevista;Ricardo Paes de Barros;Economista (Foto: Fabiano Accorsi)
Ricardo Paes de Barros, um dos principais nomes por trás do programa Bolsa Família, é também um crítico contumaz da forma como o dinheiro público é gerido no Brasil. Em sua avaliação, falta ao país capacidade para direcionar os poucos recursos disponíveis, de forma eficiente, a quem mais precisa. Depois de passar mais de 30 anos no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), onde realizou inúmeras pesquisas sobre desigualdade social, pobreza e mercado de trabalho, e de ocupar o cargo de subsecretário da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), entre 2011 e 2015, ele hoje se dedica à área de educação como economista-chefe do Instituto Ayrton Senna. É também professor do Insper, onde coordena o Núcleo de Pesquisa em Ciências pela Educação do Centro de Políticas Públicas. Na entrevista que segue, ele avalia alguns dos assuntos mais polêmicos na agenda política brasileira atual, como os efeitos da PEC do teto dos gastos públicos sobre a educação, a reforma do ensino médio e o ensino superior gratuito.

Há um debate intenso sobre a PEC do teto dos gastos. Os críticos afirmam que vai comprometer a qualidade do ensino público. Qual a sua avaliação?
Se os gastos não cabiam no orçamento, estavam acima do que deveriam. E em alguma coisa vamos ter de cortar. Existe espaço no orçamento para que a gente gaste com educação mais ou menos o que precisamos. Mas, obviamente, outras áreas vão sofrer cortes. O que cortar vai ter de ser uma decisão de país. O importante é termos um plano que diga em que vamos gastar, por que vamos gastar e por que o dinheiro vai ter o impacto que estamos dizendo que vai ter. Em um ambiente de restrição orçamentária, é preciso justificar. É preciso também que alguém se responsabilize, que garanta que isso leva àquilo. E que, se não levar, o dinheiro vai parar de fluir. Todos os países que se desenvolveram no passado recente o fizeram através de sólido e eficiente investimento em educação. Com o Brasil, não deve ser diferente.
O Brasil tem um dos maiores gastos públicos com educação do mundo. Mas gasta pouco por aluno nos níveis básico e fundamental. É possível superar o problema sem investir mais, ou teremos de cortar de outro lugar?
A Austrália transformou a universidade pública e gratuita em universidade pública, mas não gratuita. Principalmente para quem pode pagar. Quem vai à universidade pública, depois, paga imposto de renda maior até quitar o débito. Ninguém consegue justificar por que continuamos a financiar os mais ricos e deixamos de melhorar a educação média dos mais pobres. É óbvio que temos de mover parte dos recursos para a educação média. Gastamos por aluno do ensino básico mais ou menos o mesmo que no ensino fundamental. O que não faz sentido, dada a necessidade de aulas em tempo integral, de vários laboratórios e professores.
Ensino público gratuito é fundamental para reduzir a desigualdade social?
Existe certa confusão entre público e estatal, entre público e gratuito. Educação pública é muito importante. É desejável que todo mundo tenha igualdade de oportunidades. Que todo mundo vá, em certo sentido, à mesma escola, no mesmo ônibus, compartilhe o mesmo refeitório, a mesma biblioteca, os mesmos laboratórios. Mas não há razão para que a educação pública seja estatal.
O Brasil tem uma das políticas sociais mais ricas do mundo. Mas o que sabemos sobre a eficácia dessas políticas? Muito pouco
A universidade pública tem papel fundamental na geração de inovação no Brasil. Manter financiamento estatal não é importante para isso?
Primeiro, temos de separar o que é ensino e o que é pesquisa. Vários sistemas educacionais do mundo mostram que é possível ter universidades totalmente voltadas a ensinar. E é muito importante o país ter centros de pesquisa bem financiados, que podem ser selecionados por excelência e estar em universidades públicas ou privadas. O financiamento estatal à pesquisa é fundamental. A pesquisa básica, em particular, só se sustenta com recursos públicos.
Como você avalia o debate sobre o modelo de universidade no Brasil?
Estamos bem atrasados na discussão sobre o desenho da educação pública no Brasil e da nossa política de ciência e tecnologia. O país avançou muito cientificamente e muito pouco tecnologicamente. Em parte, porque a conexão entre a universidade e as empresas é tênue. Construímos quase uma nova universidade estatal por ano, nos últimos 15 anos. Para serem boas, muitas delas vão precisar de uma quantidade imensa de recursos. O Fies precisa ser redesenhado. O debate sobre cobrança pela educação superior estatal de famílias ricas é quase inexistente.
Qual o  problema do Fies?
O Fies te dá uma incrível capacidade de definir o preço que vai pagar pelo serviço, e que vai virar a dívida dos estudantes. O governo não exerceu bem esse poder de barganha. Não está claro qual taxa de inadimplência o programa admite e as maneiras que tem de recuperar esses recursos. Nem se está focado em quem mais precisa.
E a reforma do ensino médio no Brasil?
O Brasil precisa de um sistema de ensino mais flexível, com número de horas letivas no ano maior do que tem. A nossa educação média noturna precisa ser repensada. Precisamos trazer a questão sócio-emocional e a técnica para o ensino médio. Em linhas gerais, tudo que precisa ser feito está lá. Agora, como vamos fazer isso e com que recursos, não está claro.
Qual o futuro do Bolsa Família e de outros programas sociais no Brasil?
Os programas do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e do antigo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) foram incrivelmente importantes para o Brasil reduzir a pobreza, melhorar a distribuição de renda, promover a inclusão produtiva. O nosso erro, nos últimos cinco anos, foi acreditar que são modelos já prontos, definitivos. Eles têm de ser continuamente pensados e redesenhados. O Brasil tem uma das políticas sociais mais ricas do mundo. Mas o que sabemos sobre a eficácia dessas políticas? Muito pouco. Não sabemos tomar decisões com base em evidências. Precisamos melhorar o desenho do que já temos, escolher o que funciona e consolidar o que for parecido.

Base curricular mira o século 21, mas formação do professor segue no 19


A Base Nacional Curricular Comum (BNCC) proposta pelo governo federal inova ao introduzir diretrizes voltadas para o ensino investigativo, focado na resolução de problemas. O que permanece não resolvido na equação é que, enquanto a base mira o século 21, os professores têm uma formação nos moldes do século 19.
Essa é a opinião das especialistas em educação que participaram da primeira mesa de debate do 2º Fórum de Inovação Educativa, promovido pela Folha em parceria com a Fundação Telefônica Vivo e com o apoio do movimento Todos pela Educação, nesta quarta-feira (24).
"A educação tem avanços, mas coleciona fracassos. A escola brasileira não ensina a pensar cientificamente", disse Claudia Costin, colunista da Folha e ex-secretária de Educação do Rio de Janeiro. "O mundo está mudando: as demandas que exigem elaboração são mais cobradas do que atividades que exigem a repetição", continuou.
Para Guiomar Namo de Mello, diretora da Escola Brasileira de Professores, os docentes trazem na bagagem uma formação antiga, que deixa o desenvolvimento pessoal a desejar.
"O problema é como ensinar o professor a ensinar o que está escrito na base nacional. É preciso que ele aprenda nas mesmas condições que ensina", afirmou.
A educadora lembrou que a base curricular prevê uma progressão contínua e articulada de conteúdos, mas, ao mesmo tempo, há falta de diálogo entre os profissionais da pedagogia e das licenciaturas que permita transformar o professor em um instrumento de capacitação.
Mello lembrou que as universidades também precisariam se adaptar ao novo modelo, já que são as responsáveis pela formação dos docentes.
"São questões complicadas, porque as universidades federais são autônomas. Além disso, as que mais formam professores são as particulares", disse Teresa Pontual, diretora de Currículos e Educação Integral do Ministério da Educação (MEC).
Pontual afirmou que a base nacional em si já é um avanço, por trazer os conteúdos que os alunos devem aprender. "Mas a gente não consegue garantir que os professores saibam os conteúdos que precisam ensinar".
Sobre as competências socioemocionais previstas na base, houve um consenso de que uma disciplina apenas com este foco seria pouco eficiente. Para Costin, o impacto maior é quando o professor ajuda a desenvolver essas competências.
Mello concordou: "Ninguém dá aula de solidariedade e resiliência. A questão é fazer que os conteúdos ancorem isso na realidade".

23 de maio de 2017

Gestos de grandeza (Artigo), Cristovam Buarque

Correio Brasiliense, 22/5/17



O desencanto atual com todos nós, parlamentares, justifica que até ideias inconvenientes sejam escritas, ainda que não propostas. O absurdo dessa sugestão ainda é muito melhor do que o suposto fechamento do Congresso, que alguns começam a defender como reação às indecências e erros cometidos dentro da democracia. Ouço proposta de volta à ditadura, como o desejo de ingênuos ou dos que, cansados com notícias que os envergonham, optam por não tomar conhecimento delas. Eles preferem que os corruptos tenham o poder de censurar a imprensa, demitir e controlar o Ministério Público e a Justiça.
Cansados de tomar conhecimento da irresponsabilidade e do roubo generalizados, preferem não saber o que acontece, prendendo os ladrões atuais e impedindo de descobrir quais serão os corruptos no futuro. Preocupante é que, além dos ingênuos cansados com a democracia, há a proposta, sobretudo, de saudosistas da ditadura que desejam voltar ao poder autoritário, até mesmo para poderem prender quem os denunciar.
A continuação do atual quadro é o segundo pior dos mundos, já que a ditadura é o pior deles. A reforma da Constituição para fazer eleição direta é a melhor proposta ética e com maior legitimidade para o próximo governo. O ideal seriam até mesmo eleições gerais para substituir todos que hoje têm mandato, não apenas o presidente surpreendido em um diálogo comprometedor. Mas isso levaria o Brasil a atravessar meses no caos econômico e enfrentar a desordem na segurança pública, para, no fim, elegermos alguém do passado, ditatorial ou populista.
Neste momento, precisamos de gestos de grandeza. Primeiro do presidente Michel Temer, renunciando ao seu mandato conquistado pela escolha de seu nome pelo PT e pela então presidente Dilma como vice. Segundo, o gesto daqueles que defendem a bandeira ética da eleição direta, entendendo que não há tempo para isso, que a emenda constitucional apressada é um risco para as instituições. Além de que meses de debate desorganizarão o que resta de nossa cambaleante economia. Terceiro, o gesto de grandeza dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal ,manifestando que, diante das denúncias que pesam sobre eles, preferem não ocupar o cargo de presidente pelos 30 dias previstos pela Constituição.
Quarto, um gesto da presidente do STF, seguinte na ordem sucessória, afirmando que ao assumir a Presidência ela será apenas a condutora do processo de sua sucessão. O quinto gesto de nobreza seria de todos os parlamentares atuais, renunciando de antemão à possibilidade de sua eleição indireta para presidência. E, por último, grandeza de quem vier a ser eleito, aceitando que será somente o guardião do processo eleitoral de 2018, mantendo blindadas a economia, a segurança nacional, a ordem e a ética.
Ao mesmo tempo, será preciso o gesto de grandeza das demais autoridades brasileiras e do mercado - consumidores e investidores - de que não vão abandonar o otimismo e o sonho de um Brasil grande, que manterão acesa a chama de ser brasileiro, lembrando que nosso país é maior do que seus presidentes e políticos, maior do que qualquer um de nós e sobreviverá ainda melhor a todas as dificuldades atuais. Nosso desafio é de que os erros e indecências do passado e presente sejam superados com o menor e menos duradouro custo social, econômico e institucional democrático.
Além disso, a grandeza maior de sabermos que nada vai construir o Brasil ético, justo, eficiente e sustentável que desejamos enquanto não tivermos a grandeza de fazermos um sistema educacional para todos e com a mesma qualidade para cada um. Todas as crianças com acesso a uma boa escola: o filho do pobre em escola tão boa quanto a do filho do rico. Mas isso parece quase impossível no Brasil de hoje, porque exige grandeza não só dos eleitos, mas também dos eleitores, abrindo mão do tradicional imediatismo de preferir benefícios no presente e aceitando sacrifícios para podermos construir o futuro.
Penso que talvez não haja mais tempo para construirmos essa ideia, porque estamos ficando, mais uma vez, para trás no mundo, como aconteceu no passado quando preferimos a escravidão a trabalho livre, corrupção à ética, os investimentos na economia a uma revolução na educação. Porém, não temos outra alternativa. Este é nosso país, precisamos ser otimistas e fazer coerentemente os necessários gestos de grandeza que o Brasil exige.

22 de maio de 2017

Why It's So Hard To Know Whether School Choice Is Working

K-12


School vouchers take kids and money away from public school.
LA Johnson/NPR
Education Secretary Betsy DeVos has been a passionate proponent of expanding school choice, including private school vouchers and charter schools, and she has the clear backing of President Trump. But does the research justify her enthusiasm?
Experts say one single, overarching issue bedevils their efforts to study the impact of school choice programs. That is: It's hard to disentangle the performance of a school from the selection of its students.
Students are never randomly assigned to a school. A school's population is always affected by local demographics. With schools of choice, by definition, parents and students are making a decision to attend that school, so their enrollment is even less random.
Even when researchers carefully match students at different schools based on demographics, it's possible that families that are more organized and more invested in education are also more likely to seek out charters and voucher programs. Or, selection bias can also work the other way: The students who struggle in traditional public schools may be more likely to seek alternatives.
Further complicating matters is this: By law, most charter schools must have open enrollment, using a lottery if they have more applicants than spots. However, charters, and private schools, have sometimes been accused of using strict discipline rules or other measures to filter out underperforming or otherwise undesirable students.
The admissions policies of voucher-accepting private schools can also vary widely, depending on school policy and state law. Some must have open enrollment. Others retain the right to select students based on religion, academic achievement, artistic talent, conduct, or other factors.
And, no matter where you look, both private schools and charters tend to enroll fewer students with disabilities compared with public schools, a practice known as "creaming."
So, with the huge caveat that it's difficult to do an apples-to-apples comparison, where do researchers agree on the impact of choice?
Choice programs seem to push nearby public schools to improve.
"The results are consistent, and I don't think there's any debate," says Douglas Harris of the Education Research Alliance at Tulane University. "Charters, vouchers and tax credits create competition and positive spillovers." When school choices expand, public schools stand to lose students, and thus money, and they seem to respond by stepping up their game.
Martin Carnoy, a professor at Stanford University who has been studying the issue for decades, terms this response to competition"an accountability effect." In other words, "When you announce that there's a new sheriff in town, all of a sudden everybody perks up."
Carnoy's studies of cities including Milwaukee argue that this effect fades over time.
There's far less agreement among researchers on the effects of choice for the students who choose to leave their traditional public school.
First, charter schools. Charter students in city centers tend to do better than their public-school peers, according to the most recent research by the Center for Research on Education Outcomes at Stanford. But charter students elsewhere tend to do the same or worse.
And the learning progress of nearly 200,000 students enrolled in 100-percent online "virtual charter schools" is generally so bad that representatives of the charter sector recently called for states to close many of them.
Second, private schools. Whether students are using vouchers or tax-credit scholarships, their academic outcomes are a similarly mixed bag.
"Most studies find modestly positive or neutral impact on student scores, and that's generally limited to African-American students in large urban centers," says Micah Ann Wixom, a policy analyst with the Education Commission of the States.
Martin Carnoy wrote for the left-leaning Economic Policy institute in February: "Extensive research on educational vouchers in the United States over the past 25 years shows that gains in student achievement are at best small."
"Do voucher students perform better than they would have in their neighborhood school?" asks Josh Cunningham, a senior education policy specialist with the National Conference of State Legislatures. "At the most I can say, 'Maybe, a little bit.' But there's not a lot of evidence that they'll have any substantial academic gains."
Or, as the Center on Education Policy underscored in its 2011 survey of voucher research: "Achievement gains for voucher students are similar to those of their public school peers."
But more recent research has found that private schools, like charter schools, can actually hurt the academic progress of the students who choose them. Studies of programs in LouisianaOhio and Washington, D.C., found students who left for private schools did worse, not better, compared with their peers.
Scholarship tax-credit programs, like voucher programs, send students to private schools. Their impact is hard to determine, says Harris of the Education Research Alliance.
"The best-case scenario seems to be a slight positive effect, but most people would interpret it as no effect," he says.
Finally, when it comes to voucher and tax-credit programs, many states don't even require private schools to administer the state's test. In Florida, it can be any nationally normed test. So these programs are a bit of a black box. Going forward, if private school options expand, we may know less and less about the schools that more and more students are attending.
Oh, and there's another challenge: Most of these analyses rely on test scores alone. Test scores provide an imperfect and incomplete picture of student performance, as the most recent reauthorization of the federal education law acknowledges.

Documentário investiga a realidade do ensino médio em escolas públicas


Bruno Decc /Divulgação
Gravação de cena do documentário 'Nunca me Sonharam' em escola pública brasileira
Gravação de cena do documentário 'Nunca me Sonharam' em escola pública brasileira



Um retrato da juventude, um estudo sobre o ensino médio, uma reflexão sobre a desigualdade social do país. É disso que trata o documentário "Nunca me Sonharam", do diretor Cacau Rhoden, que estreia nos cinemas de São Paulo e do Rio no dia 8 de junho.
A primeira exibição pública ocorre na quinta-feira (25), no festival Ciranda de Filmes, que acontece de 25 a 28 de maio no Espaço Itaú de Cinema Augusta, na capital paulista. Além de estrear nos cinemas, a obra estará disponível na plataforma Videocamp, o que possibilita exibições gratuitas pelo país.
Na tela, relatos, opiniões e histórias desenham um retrato da educação pública e, em especial, do ensino médio.
A etapa é um dos grandes gargalos da educação brasileira. O país registra 1,6 milhão de jovens entre 15 e 17 anos fora da escola. Quase 10% deles não estudam nem trabalham. E, como apontam estudos, quem está na escola não vê muito sentido no que faz por lá.
Foram quase dois anos de produção, com mais de 70 entrevistas em oito Estados de todas as regiões do país. É dos jovens a maioria das vozes diante das câmeras.
O questionamento a uma visão restrita da juventude – de que ela seria só uma "fase" ou uma "transição"– é o ponto de partida do filme. "Eu quero participar da mudança, não quero aplaudir a mudança", diz uma jovem. "Quando vai chegar a nossa vez? Será que vai sobrar pra nós?", pergunta outra.
"O filme fala sobre a juventude num país que não escuta os jovens, e sobre a importância e a magia do conhecimento", diz o diretor.
Mesmo partindo de uma realidade até angustiante, o filme guarda poesia, sonhos, otimismo e esperança. Nisso, a figura do professor também aparece com força.
"Nunca me Sonharam" também mapeia os problemas da educação pública. Temas como a má formação docente para lidar com jovens e a dificuldade de replicar boas experiências educacionais se relacionam com os conflitos éticos da sociedade. Assim, racismo, machismo, pobreza e violência surgem como causa e consequência do fracasso escolar e social.
"Como meus pais não foram bem sucedidos na vida, eles também não me influenciavam", diz no filme o estudante Felipe Lima, no emocionante relato que inspira o título.
"Eles nunca me sonharam sendo um psicólogo, nunca me sonharam sendo professor, nunca me sonharam sendo um médico, não me sonharam. Eles não sonhavam e nunca me ensinaram a sonhar. Tô aprendendo a sonhar sozinho", diz.
Produzido pela Maria Farinha Filmes, o longa é uma iniciativa do Instituto Unibanco. Ricardo Henriques, superintendente do instituto, ressalta a perversidade de um país que está "sequestrando o direito de sonhar".
"Ao abrir mão de uma educação como direito de todos, a sociedade estabeleceu um teto para ela mesma. E é um teto muito baixo", diz ele.
Segundo Henriques, o que mais mobilizou o filme é a urgência de "colocar a discussão sobre educação na mesa de jantar de todos os brasileiros". Resta saber se os brasileiros, sobretudo a elite econômica, estão preparados para encarar tudo isso. 

21 de maio de 2017

Student Debt’s Grip on the Economy

Photo
CreditPaige Vickers
After decades of rising college costs and tepid income growth, student debt has become a drag on graduates’ hopes and a threat to economic growth.
The cost of a four-year college education, adjusted for inflation, is two and half times as much as it was in the 1978-79 school year, while median family income has increased only 20 percent.
A new report by the Federal Reserve Bank of New York documents the hardship that has resulted from the soaring level of student debt taken on to cover those costs. About one in 10 student borrowers is behind on repayments, the highest delinquency level of any type of borrowing in the Fed’s survey, including home mortgages, auto loans and credit cards.
Loan payments are keeping young people from getting on with life, delaying marriage and homeownership, other data show. Research also suggests that student debt is crowding out other investment and spending that would otherwise occur. So the fallout from these burdens, afflicting those who are supposedly best prepared to face and shape the future, is not only a personal-financial issue but also a social and economic one.
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Total student debt — $1.3 trillion — is more than double what it was as recently as 2008 and is more than Americans have racked up for cars or credit cards.
But wages for college-educated workers have only recently shown gains. They rose 6.6 percent from 2014 to 2016, as the labor market improved, but that still leaves them a mere 4.5 percent above where they were in 2002.
Wage gains would have to be considerably more robust to handle rising debt burdens.
The average wage of a worker with a bachelor’s degree worked out to nearly $32 an hour, with those ages 21 to 24 making only about $19 an hour last year. Nearly 40 percent of households headed by someone younger than 40 had student debt, $29,800 on average, in 2013. (The median amount was nearly $17,000, but nearly 20 percent of those households owed more than $50,000.)
The total amount of student debt pales in comparison to mortgage debt, so it does not pose the same threat to the economy that the housing bubble caused. But it does weaken economic growth and foster inequality, a further scourge that crimps spending and investing and impedes broader prosperity. Households headed by young college-educated adults without student debt have about seven times the median net worth of those households with student debt, the Pew Research Center found.
Better administration of government repayment plans could help borrowers in the short run. But a more enduring solution is to increase wage growth by enabling white-collar and service-sector employees to bargain collectively, making more salaried workers eligible for overtime pay, ending discriminatory practices that result in pay disparities based on race and gender, and tightening up the visa system that lets companies in technology, finance and other white-collar fields use cheaper foreign labor to fill jobs or replace workers in the United States.
The alternative is a society and an economy where even many college-educated workers cannot get ahead.

The New York Times